Estuário do Tejo

A atividade da apanha de amêijoa-japonesa neste estuário tem uma elevada importância socioeconómica devido ao elevado número de apanhadores e quantidade de amêijoas capturadas. No entanto, a maior parte dessa capturas tem Espanha como destino, sendo exportada por canais maioritariamente ilegais, sendo os benefícios económicos deslocalizados para aquele país.

A presença da amêijoa-japonesa no estuário do Tejo é conhecida desde 2000, mas apenas em 2008/2009 começou a ser explorada comercialmente, depois de ter ocorrido uma aumento muito significativa da sua abundância. Em 2010 foi regulamentada a apanha desta espécies no Tejo e, desde então, o número de apanhadores tem vindo a aumentar. Em 2015 foi estimado que exisitiam mais de 1700 apanhadores de amêijoa-japonesa neste estuário, cujas capturas podiam ascender a 20 toneladas diárias. As amostragens realizadas pelo MARE e IPMA em 2015 indicaram que a lambujinha e a amêijoa-japonesa eram os bivalves dominantes no estuário do Tejo. A amêijoa-japonesa tem uma distribuição vasta neste estuário, mas é mais abundante nas imediações da Ponte Vasco da Gama e nas baía do Barreiro e Montijo. Um dos impactos da introdução desta espécie parece ter sido o quase desaparecimento da amêijoa-boa.

Risco de saúde pública

O estuário do Tejo está atualmente na Classe C, no âmbito da classificação atribuída às zonas de produção de bivalves. Esta classificação baseia-se nos níveis de contaminação bacteriológica e em metais tóxicos e obriga a uma depuração prolongada (transposição) ou transformação industrial, para que os bivalves possam ser consumidos. zona C relatividade a ausência de zonas de transposição designadas para a depuração de exemplares capturados nestas zonas de produção. Em Portugal não há zonas de transposição designadas e todos os bivalves capturados no Tejo e consumidos diretamente representam um risco para a saúde pública.